Tuesday, December 09, 2008

Depois de um programa

Ontem assisti a um programa da Discovery Channel que abordava os avanços da tecnologia para o desenvolvimento da inteligência artificial, “O mundo do futuro”. Comecei a ver e uma parte que falava sobre exoesqueletos, uma super máquina para ser “vestida” por uma pessoa (por isso o nome dela – um esqueleto por fora). Com o exoesqueleto, alguns movimentos seriam mais precisos e usariam 10 vezes menos força para serem realizados. O primeiro uso seria militar. Contudo, um especialista ressalta que, no futuro, pode ser comum as pessoas terem um exoesqueleto no guarda-roupa para o uso no dia-a-dia. Trabalhos corriqueiros que exigem grandes esforços seriam feitos facilmente por qualquer um, assim como empurrar um armário ou desatolar um carro do lamaçal. O programa, então, caminhou para um lugar mais obscuro: a inteligência artificial. A idéia dos pesquisadores é mudar o “recheio” do exoesqueleto e colocar organismos artificiais e inteligentes “dentro” dele. Assim, começaram a mostrar algumas pesquisas para ensinar as máquinas a pensar. Isto, ensinar é a palavra. A linha da pesquisa indica que o melhor caminho para as máquinas ficarem inteligentes é aprenderem a pensar, construindo, assim, a forma de raciocínio. Fiquei meio assustada neste ponto. Sim, a idéia é que a inteligência artificial depende da capacidade de a máquina aprender, como uma criança. No momento, até onde é divulgado oficialmente, há sistemas que conseguem reproduzir a inteligência de minhocas (escolher caminhos que diminuem trombadas, reproduzir-se, alimentar-se). A previsão é que daqui a 25 anos (se não me engano com os números) já existam sistemas que reproduzam a inteligência de um chimpanzé. Pensei em algumas coisas depois deste programa: 1) Como há tantas pesquisas gastando fortunas incríveis e dando bons resultados (segundo os pesquisadores) sobre inteligência artificial e dizem haver outras tantas sobre câncer, gastando também fortunas, e resultando apenas em remédios mais caros, mais lotados de efeitos colaterais (amenizados por outros remédios igualmente caros e, quem sabe, da mesma indústria farmacêutica) e máquinas mais desenvolvidas para o diagnóstico de uma morte iminente. 2) Eu não gosto do capitalismo como sistema econômico, social e político. Ele é tudo isso. Quem nasce sob este sistema não enxerga alternativa para ao menos poder sonhar. O comunismo é uma utopia, o socialismo pode ser um inferno, a anarquia só funcionaria se existissem homens bons. Eu não vejo alternativa e me farto de consumo (mesmo que seja só de livros e outras coisinhas). Preços não são reais, necessidades e desejos são falsos, criados pela indústria do marketing. Pensando sobre isso, o desenvolvimento de inteligência artificial tem tudo a ver com o capitalismo. Estamos criando algo que pode nos superar (e nos tornar obsoletos ou escravos) porque a médio-prazo será um negócio extremamente lucrativo. Longo-prazo? Até lá, só restarão os netos de nossos bisnetos. Eles que resolvam os problemas, cada geração tem seu desafio. Pois é, com esta história as florestas, os mares e o clima ideal para o ser humano sobreviver estão indo para o beleléu. 3) Livros de ficção científica são fantásticos. Se quiser saber mais sobre o futuro, leia bons livros de ficção científica com espírito crítico. Os caras sabem o que falam. 4) O consumo de embutidos dá câncer, o aspartame (muito usado nos adoçantes) pode gerar sintomas de esclerose múltipla no organismo e até matar se consumido em grande quantidade por muito tempo. Os agrotóxicos usados em plantações estão envenenando lentamente as pessoas. Li sobre estas questões em revistas especializadas e livros de pouco acesso ao público geral. Demorei alguns meses para encontrar estas informações em fontes seguras (que não irei citar. Se houver interesse, pesquisem). Não é esquisito imaginar que os homens criam coisas que os matam. E estão desenvolvendo a inteligência artificial... Nossa espécie é fadada à autodestruição. 5) Mesmo que sejamos uma espécie em extinção no futuro, os robôs não estarão a salvo se reproduzirem as nossas idéias de sentimentos. Assim, em busca da felicidade constante ou como uma forma de vício, começarão a querer ter poder, a guerrear, a manipular outras máquinas, a defender a idéia que a sobrevivência de algumas máquinas é mais importante que a de outras, a ficarem tristes com a morte e começarem a acreditar na imortalidade da alma para diminuir a tristeza. E terão a grande idéia de criar um outro tipo de ser inteligente, já que, até chegar a este ponto, eles terão consolidado o conceito de divindade e inveja. E talvez criem super-homens capazes de superar as máquinas inteligentes. Este será o nosso legado.

Lembranças