Saturday, October 03, 2009

Fragmentos

Queria muito escrever algo erótico, ou até mesmo pornográfico. Só por escrever.

A conversa é batida, tenho uma amiga, a J., que pode dizer horas sobre o assunto de forma mais delicada, bonita e inteligente que minhas elucubrações, mas devo insistir: as mulheres sempre parecem ter o rio do pudor a ser transpassado, a necessidade de afogar em ideias a menininha bem-comportada. Esta garotinha me lembra um pouco aquela de “O chamado”. Ela nos faz morrer, mas com a boca bem fechada e tensa.

A querida J. leu o ensaio da Virgínia Woolf falando sobre a mulherzinha que fica sussurrando em nossos ouvidos enquanto escrevemos: “Isso é feio para uma moça escrever!”; “Não, isso é muito vulgar”. Oras, como fazer para sobreviver com a menininha e dizer: “ok, é hora de você ir dormir, irei escrever”?

Costumo ir aos banheiros e ler tudo que está escrito nas portas e nas paredes. Uma experiência encantadora. Há banheiros com pensamentos extremamente elaborados, diálogos entre as pessoas que escrevem e muita, mas muita baixaria. Sempre penso: é aqui o lugar da arte feminina.

Ontem escutei uma garota no ponto de ônibus reclamando que não tinha nenhuma privacidade em sua casa. Uma vez ela chegou a ler a noite toda no banheiro para não atrapalhar ninguém. As meninas estão lendo e escrevendo nos banheiros. O teto só nosso sugerido pela Woolf é o banheiro.

Lembranças