Thursday, October 16, 2008

Minha amiga conseguiu escrever algo com humor. Muito humor. Estava um dia bem ruim, sabe aqueles que você tem dúvida se foi uma boa idéia ser vencedor uma vez na vida – enquanto era o pequeno espermatozóide? Pois é. Mas entrei no blog dela e comecei a ler os posts. Ler a J. algumas vezes significa estar com a J. E, então, me deparo com a história dela e o aluno. Vejo-me rindo e o dia ficando mais leve e colorido. No texto, não cortaria nada, não mudaria nada. Tenho uma mania de ler e pensar como o texto poderia ficar melhor. Aquele... bem, é pleno e enxuto.

Ontem me encontrei com ela. Vestido verde-prado e carinha de menina sem ranço de vida amarga. Quase dava pulinhos pela rua e mostrava as bochechas vermelhas pelo calor e uns goles de cerveja. Ontem eu também estava feliz. Feliz de boba, feliz por nada. Andando de mãos dadas com E. em ruas de um interior imaginário. Quando estamos assim o cosmo ajuda, o mundo canta e encontramos todas as pessoas, bichinhos e objetos queridos. Encontrei J. nestas ruas. Se alguém adiasse uma aula, ela passaria em casa. Adiaram. Como disse, o cosmo.

Tocamos um trecho de um blues – ela ao violão e eu no piano nível básico 0.1 – e ela me mostrou composições feitas em momentos de coração partido e amores distantes. Lindas. Especialmente uma delas. Enquanto ouvia, lembrei de R. perguntando porque a tristeza é tão magnífica. Tive a resposta naquela hora. A tristeza não é magnífica, a transformação dela em arte pode ser.

Ela saiu e me deixou um desafio: escrever algo. Qualquer porcaria. Segundo ela, é preciso escrever bastante para produzir coisas boas, para ter coragem, para tirar o gosto amargo de um texto seu que saiu muito ruim. Começar, continuar. Transformar-se em cinzas, mas não esquecer o momento de renascer.

A ela, só posso dizer obrigada.

Lembranças